Paulo Franke

28 abril, 2012

6. FLORIANÓPOLIS, na Ilha de Santa Catarina


Na rodoviária de Porto Alegre tomei o ônibus de uma empresa que nunca tinha utilizado  antes e embarquei para Florianópolis, a somente 6 horas de viagem noturna, em um confortável ônibus que mais parecia fazer alguma rota ao pantanal matogrossense (percebam a pintura da onça acima dos pneus trazeiros).



Horas bem dormidas e bem cedo na manhã seguinte cheguei a Floripa.



Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, embora visitada anteriormente, de fato pouco conhecia. Vivi duas vezes no estado de Santa Catarina, ambas na cidade de Joinville. Meu neto mais velho nasceu lá.
A ilha de Santa Catarina é ligada ao continente por três pontes, a ponte Hercílio Luz, a ponte Colombo Salles e a ponte Pedro Ivo Campos. Estas pontes vencem um canal que tem cerca de 500 metros de largura e até 28 metros de profundidade. O estreito formado dá nome a um dos bairros continentais da cidade e delimita as baías Sul e Norte (Wikipedia).



O convite me veio de uma prima em segundo grau, gaúcha que lá mora e que me deu hospedagem em seu apartamento no centro da cidade, bem próximo à Avenida Beira Mar.



Em um dia quando estava livre - é médica - levou-me a passear...



... e conferir as belezas da ilha...



... e de seu mar azul, começando com a Praia de Jurerê.



"Por que essa cara, Paulo?" Pena, talvez, de não ter trazido calção de banho!!



Naquele belíssimo bairro enche-nos os olhos as casas...



... algumas comparáveis às de Beverly Hills, sem muros nos jardins...



... onde vivem catarinenses, cariocas, paulistas - além de ricaços de muitos estados - e muitos, muitos argentinos e uruguaios!



Dali fomos para a Praia do Forte...



... outro lugar de paisagens tremendas...



... acentuadas pelo lindo mar catarinense.



Um pequeno museu onde foi o histórico forte.



Telhas portuguesas com certeza e a vista do mar e montanhas a perderem-se de vista.



E de repente... estarei vendo miragem?? Fazendo turismo como eu no local, vejo dois colegas gaúchos e sua filha que igualmente vivem na Finlândia e dirigem o Exército de Salvação na cidade de Oulu, no norte do país. Em férias no Brasil, tiveram a mesma idéia sem que o soubéssemos, e vieram à Ilha de Santa Catarina. Se tivéssemos marcado um encontro não teria dado tão certo!



E apressamo-nos a chegar à famosa Lagoa da Conceição...



... pois o sol começava a se pôr.



O dia seguinte foi combinado para encontrar meu sobrinho gaúcho que mora no norte da ilha...



... e o lugar marcado foi a Avenida Beira-Mar.



E eis que ele chega com sua moto, dando-me grande alegria em revê-lo!



Fotos e muito papo marcaram o encontro.



Artesão de talento, o sobrinho, que é descendente de alemães em ambos os lados, herdará minha coleção de latinhas de Coca-Cola internacionais, as quais transforma em canecas de muita criatividade (desfaz-se a piada do meu genro gaúcho, que brincava sobre quem herdaria aquela coleção que enche uma estante na nossa casa; já tem dono, rsrs!).



Meu sobrinho precisou voltar para o trabalho, que faz com suas habilidosas mãos, e eu tiro minha última foto à beira-mar (outras virão em outro lugar, visitado pela primeiríssima vez na reta final da viagem).

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Para comemorar o aniversário de minha prima fomos a uma pizzaria em um lugar, entre pedras iluminadas, tradicional na ilha e muito bonito (não vi nada feio em Florianópolis!).  Privilegiado do grupo por ser o único parente da aniversariante, as demais pessoas na longa mesa eram casais da família de seu esposo e amigos de ambos, aos quais fui apresentado como "um primo da Finlândia".

 Algo aconteceu, no entanto, que me fez recordar a afinidade catarinense com os vizinhos gaúchos, pois não demorou foi decidido que homens ficariam de um lado da grande mesa e as mulheres de outro e aí a conversa deslanchou devidamente. Um tanto calado no canto da mesa, de repente puxei assunto com um dos convidados e conversamos sobre o que me chamara a atenção: o sotaque açoriano dos presentes, com o s no final das palavras um tanto parecido com o sotaque carioca (desculpem-me, amigos cariocas, mais bonito ainda!).

 Ah! e a pizza? Super deliciosa!

Florianópolis, principalmente, foi colonizada por portugueses açorianos e não somente o sotaque é indicação disso mas também muitos costumes e também peças de seu artesanato. De fato, quando visitei  São Miguel, nos Açores (ver link abaixo), na biblioteca local encontrei obras de autores catarinenses ou menções à Santa Catarina,  causando-me surpresa na ocasião a quase ausência de informações ligadas a açorianos que emigraram para o Rio Grande do Sul. Minha avó paterna, no entanto, era neta de açorianos - tua bisavó, prima! - da Ilha Terceira, comprovado por uma parente que escreveu a genealogia da nossa família por aquele lado, livro que me foi presenteado por um parente.

Foram dois dias super agradáveis, com certeza, pelos quais agradeço à querida prima que amavelmente me fez o convite de por lá passar e me recebeu tão bem!

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L i n k


Minha visita aos Açores, na ilha de Säo Miguel


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Próxima postagem:

Um dia em Navegantes-SC visitando um jovem fiel leitor do meu blog.

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26 abril, 2012

5. Em SÃO LEOPOLDO-RS, visita ao Museu da Imigração Alemã


E de volta à Finlândia há exatamente uma semana, continuo a postar as fotos e impressões de minha viagem pelo sudeste e sul do Brasil...


Esta viagem foi marcada por visita a lugares que há décadas não visitava, e mesmo rever amigos e parentes que há muito não via. Sabendo, graças à Internet,  que um jovem amigo salvacionista - que encontrei pela última vez na década de 70 - é hoje um pastor na cidade de São Leopoldo-RS, combinei com ele uma visita à cidade: passaríamos um dia juntos e, ao mesmo tempo, ele me levaria a visitar um lugar que pela última vez visitei na década de 80, 
o Museu da Imigração Alemã.
Tudo deu certo e de Pelotas viajei para Porto Alegre onde, na rodoviária, esperava-me meu amigo, pastor Ademir Martins. 
Era também a retomada da viagem, agora rumo norte.






Depois de um gostoso almoço que meu amigo me proporcionou - dispensei a churrascaria oferecida - chegamos ao Museu em São Leopoldo, a 34km da capital Porto Alegre.




Um velho "Ford-de-bigode", doado  por um descendente de alemães, dá as boas-vindas ao museu.



Uma antiga tipografia faz parte do acervo.




Álbuns de fotos...



... e máquinas fotográficas.




A evolução do ferro de passar roupa.



Um instrumento de tortura?   Não, uma cadeira de dentista...





A música sacra ou folclórica alemã sempre esteve presente na vida dos imigrantes.



Deus abençoe esta casa. Na primeira vez em que visitei o museu, vi a flor edelweiss seca, o que desta vez me esqueci de procurar no seu grande acervo, pena.



Louças que pertenceram a famílias de imigrantes, muitos dos quais se tornaram mais tarde  abastados, como os Renner, que vieram na mesma leva de imigrantes dos Franke...



Também relógios.



Ovos de Páscoa tradicionais alemães... E eu me lembro de quando menino, na véspera do domingo de Páscoa, meu pai, seguindo a tradição de sua família de origem alemã, pintava de todas as cores ovos de galinha para nos dar no dia seguinte.



Velhos teares... depois do trabalho duro, muitas vezes na lavoura, as mulheres teciam as roupas de sua família.



Eram muito religiosos, prostestantes ou católicos, dependendo da região de onde vinham. Aqui, um púlpito de uma igreja certamente luterana.



Famoso quadro da chegada dos primeiros imigrantes, em 25 de julho de 1824. Meus antepassados Franke chegaram no início de 1825 (veja link abaixo).




Meu amigo me leva à Casa do Imigrante ou Casa da Feitoria Velha, infelizmente fechada para reparos...



Para aqui foram conduzidos a primeira e as seguintes levas de imigrantes antes de se estabelecerem nas terras que lhes foram destinadas.



Aqui há 100 anos foi colocada a pedra fundamental da Igreja Evangélica Alemã no Rio Grande do Sul. - 1924  (e a citação de Deuteronômio 5:16 (5 Mose 5:16): "Honra a teu pai e a tua mãe... para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te dá.")




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Adquiri no Museu o livro acima, que teve a sua primeira edição em 2001.





Site do Museu: 

(perceba que as últimas letras são sl, de são leopoldo)


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No mesmo contexto, embora não tenha sido obtida no museu, a interessante e histórica fotografia - certamente do início dos anos 30 - da humilde casa, em Pelotas, onde os passageiros da VARIG esperavam o momento do embarque para se protegerem do frio gaúcho.










Filho de Martin Felix Berta e Helena Maria Lenz, Ruben Martin Berta (à esquerda da foto) nasceu em Porto Alegre em 5 de novembro de 1907.
A infância e a adolescência seguiram o padrão das famílias da modesta classe média porto-alegrense, de origem alemã e luterana. No início de 1927, já frequentava o curso de Medicina quando, por necessidade do sustento familiar, resolveu atender a um curioso anúncio de emprego de uma companhia de aviação comercial em implantação, a S.A. Empresa de Viação Aérea Rio-Grandense.
Dentre os poucos candidatos que apareceram, o jovem Berta foi o escolhido. Aos dezenove anos, tornou-se o primeiro funcionário da VARIG. Segundo Otto Meyer, fundador da companhia, Berta nada lhe perguntou sobre salário, tarefas ou extensão da jornada de trabalho. Apenas aceitou o emprego e o desafio.
A empatia parece ter sido imediata. Atração pelo pioneirismo do empreendimento ou pelo velho fascínio humano de voar? As duas coisas, provavelmente. Começava aí uma história que Ruben Berta e a VARIG viveriam juntos por quarenta anos. (Wikipedia)

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Obrigado, amigo pastor Ademir Martins, por um dia tão especial - abençoado e edificante - contigo!





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L i n k s


- Fui à Alemanha em busca de minhas raízes (Franke) e as encontrei:


http://paulofranke.blogspot.com/2006/07/minhas-razes-i.html

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- Visita aos Museus da Emigração em Bremerhaven e Hamburg, na Alemanha (e mais sobre o Museu da Imigração em São Leopoldo, inclusive o livro que lá adquiri onde constam nominalmente todos os membros da família Franke,  que embarcaram no porto de Hamburgo em 1825):


http://paulofranke.blogspot.com/2008/08/de-trem-pela-europa-11-bremerhaven-e.html

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Em breve:


Aos descendentes de CARLOS e ADOLPHINA (Ebling) FRANKE


(fotos do casal - meus bisavós - e de seus 10 filhos)


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Próxima postagem:


5 - Em Florianópolis


A última postagem da série será:


Voltando à Finlândia, a escala e passeio que fiz em Frankfurt am Main, na Alemanha.


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