Paulo Franke

19 outubro, 2012

III.O Campo de Concentração de TEREZIN, perto de Praga.


- Terceira Parte -

Protetorado da Boêmia e Morávia ((em alemão): Protektorat Böhmen und Mähren(em tcheco)Protektorát Čechy um Morava), foi um protetorado de maioria étnica checa, que a Alemanha nazista criou nas partes centrais da BoêmiaMorávia e Silésia checa no que é hoje a República Checa. Foi criado em 15 de março de 1939 por decreto do líder alemão Adolf Hitler no Castelo de Praga na sequência da declaração da República Eslovaca independente em 14 de março de 1939. A Boêmia e a Morávia eram territórios autônomos administrados pelos nazistas, que o governo alemão considerou parte do Grande Reich Alemão]. A existência do Estado chegou ao fim com a rendição da Alemanha para os Aliados da Segunda Guerra Mundial em 1945. (Wikipedia)

Para que haja um bom aproveitamento da matéria desta postagem, é necessário que seja lida a informação que a Wikipédia fornece sobre Terezin, que começou como um gueto e transformou-se em um campo de concentração (link abaixo deste texto). Diferente dos outros campos nazistas - os prisioneiros sequer usavam a conhecida roupa listrada - serviu de propaganda para que o mundo acreditasse que "os judeus estavam sendo bem tratados". Pessoas que fizeram parte de filmes para "provar" isso, tão logo participaram, foram enviadas para campos de extermínio. Um desses filmes, com cenas que mostram que "tudo transcorria em plena normalidade", ao qual assistimos em um cinema do museu, é mostrado no link no final desta postagem.



Pesquisando com antecipação a respeito da comunidade judaica de Praga, que eu sabia que era bem grande, tomei conhecimento do Campo de Concentração de Terezin, a uma hora da capital. No segundo dia na cidade uni-me a uma turnê que se reuniu na Old Town Square. Podia escolher entre uma guia neozelandesa com seu forte sotaque inglês de lá, ou um guia argentino que falava ultra rápido... decidi pelo grupo em espanhol, de somente 8 pessoas, enquanto que o inglês era de perto de 20 pessoas.
Obtendo informações durante 7 horas seguidas - a duração da turnê - foi impossível captar tudo, daí a importância de ler o que aconselho acima.



Depois de uma hora, na qual ouvimos explicações introdutórias do guia no nosso próprio vagão, chegamos à Estação de Bohusovice...


 ...onde fotografei os mesmos trilhos nos quais o transporte de judeus foi feito,  não em "trens que transportavam gado" como em outros campos.



Em memória aos cidadãos judeus da Checoslováquia, Alemanha, e outros países, deportados através da estação de trem Bohusovice ao gueto de Terezin entre 1941-1945. A maioria deles foi mais tarde transportada para campos de extermínio.



Um dia nublado carregado de emoções fortes - e exaustivo nas caminhadas feitas - mas atenuado pela simpatia deste casal do País Basco com quem fiz amizade.


Terezin é uma cidadezinha típica, com tudo o que uma cidade pode ter, mas atualmente há locais específicos ligados ao campo de concentração. As sepulturas são simbólicas.


Ao fundo, o Menorah metálico.


Continuando a longa caminhada que apenas começara, fiquei um pouco para trás do grupo para fotografar o Menorah à distância.


Entrada de um dos pavilhões de um dos museus. Todos os lugares de uma extrema organizacão, feita com amor e carinho pelos que quiseram preservar a memória do Holocausto naquele país.


"A história de Terezin é a combinação de vida e morte: a tragédia do Holocausto contrasta com as celebrações secretas dos prisioneiros de cultura, política e fé", conta-nos o guia argentino.


Acredita-se que em nenhum outro campo de concentração nazista artistas prisioneiros ou mesmo seus alunos, entre eles crianças, desenharam tanto o que se passava ao redor.


"... a minha dor está sempre perante mim" (Salmos 38:17). O versículo gravado em pedra em hebraico, checo e inglês foi inaugurado por ocasião da visita do presidente de Israel, Chaim Herzog, a Terezin, em 1991.


O crematório, para onde eram transportados os cadáveres, pessoas mortas por maus tratos, inanição e outros tipos de doença.


Judeus de boa posição de lugares da Europa como Alemanha, Holanda e Dinamarca pagaram fortunas para serem transportados para Terezin em vez de a outros campos de extermínio. Foram enganados: a grande maioria deles morreu em Terezin mesmo ou foi deportada para Auschwitz-Birkenau.


Esta placa homenageia músicos de extraordinário talento e determinação, tanto profissionais quanto amadores, encarcerados em Terezin de 1941 a 1945. Quatro orquestras foram formadas no campo e uma ópera montada.


O local do cerimonial judeu serviu como um lugar onde parentes e amigos podiam dar o último adeus aos seus mortos. Depois de orações, os caixões eram levados para o cemitério judeu e depois encaminhados ao crematorio.


Muitas vezes, o sangue escorrendo pelas frestas do caixão evidenciava morte violenta.



Não só músicos, mas escritores, cientistas, juristas e diplomatas judeus passaram por Terezin, mas depois de um tempo foram mandados para Auschwitz-Birkenau, o maior campo nazista de extermínio, na Polônia, não muito distante de Terezin.


Estas urnas de vidro iluminadas...


... contém terra de cada campo de concentração nazista.


Fomos levados a um sinagoga clandestina que funcionou sem o conhecimento dos nazistas.


Privilégio meu ser fotografado em um lugar de honra como este!


Saindo do sagrado lugar, beijei o mezuza afixado à porta.


E fotografei o bonito telhado do lugar, lembrando-me do versículo "Não durmo, e sou como o passarinho solitário nos telhados" (Salmos 102:7).


Hora de visitar o Museu... 


... de Terezin enquanto gueto.


Malas empilhadas à entrada do museu.


As crianças de Terezin... 15 mil passaram pelo campo de concentração, somente 93 sobreviveram.


A estrela de Davi iluminada em uma grande urna de vidro.


6.12.1943... precisamente dois meses depois de eu ter nascido, esta pessoa  morreu em Terezin.


Desenhos dos prisioneiros, adultos ou mesmo crianças...



... verdadeiros documentos do que realmente acontecia no campo e que os nazistas queriam esconder ao mundo.




Uma outra janela mostra a estrela de Davi que os judeus europeus eram obrigados a carregar na lapela ou ou braço.



Cartazes e mais cartazes... Muitas salas do museu, no entanto, sinalizavam que era proibído fotografar, como a que mostrava as partituras musicais de grandes músicos criadas em Terezin etc.



Estudantes judeus checos cuja vida mudou drasticamente durante o diabólico domínio nazista.



O rabino e seu chale de oração.


Localização de Terezin em relação a Auschwitz-Birkenau.


Outros campos de concentração e extermínio.


Uma rua sem saída da atual Terezin, uma cidadezinha marcada mas onde vivem muitas pessoas atualmente levando uma vida normal, convivendo com a presença de milhares de turistas do mundo inteiro que levam no coração a mensagem 
"Holocausto, nunca mais!". 

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Nosso guia anunciou que a turnê teria o seu final na estação ferroviária de Praga... 


E qual não foi a minha surpresa quando, após descermos do trem, paramos diante da estátua de um homem com duas crianças.
"O Schindler inglês" - exclamei para mim mesmo - "... tenho uma postagem no meu blog sobre ele e seu feito!"


E foi a vez da última fotografia, com a história do herói inglês, Sir Nicholas Winton, disfarçando um dia com final feliz...

Leia a comovente história:

http://paulofranke.blogspot.fi/2009/10/trens-para-morte-e-para-vida-holocausto.html

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Um dos filmes nazistas de propaganda com cenas - esportivas, com orquestra tocando, em clima de piquenique etc.- tomadas em Terezin:

http://www.youtube.com/watch?v=qEQPjvDXeZY

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Os pais de Madeleine Albright, secretária de estado, passaram por Terezin.

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Próximas duas postagens:

IV - As fachadas artísticas de Praga.

V - O famoso Velho Cemitério Judeu e Sinagogas em Praga.

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5 Comments:

  • É amigo, parece que esse vírus chamado Nazismo fincou marcas tão profundas que mesmo em lugares belos, conseguiram deixar um lampejo de tristeza e dor. E como a arrogância de um ignorante SER conseguiu deixar marcas tão indeléveis.
    Apesar de tudo isso... Vida que segue... E com muito mais orgulho e força por não deixar esquecer tamanho mal.
    Parabéns por sua nova aventura e ensinamentos! Praga é algo simplesmente espetacular em formas e tradições encantadoras. Cidade antiga de tradições não esquecidas.
    Grande aBRaço amigo e obrigada!

    By Blogger Maria Thereza, at sábado, outubro 20, 2012 5:36:00 PM  

  • Como já confessei em outra oportunidade, tenho uma certa dificuldade, embora não esteja alheia a história, de comentar sobre esse "MEDONHO EPISÓDIO". Seus ricos relatos aumentam meu conhecimento, mas sempre me entristecem ao final de cada edição. Mas não podemos fechar os olhos e ouvidos, e SIM que tenhamos SIM, sempre vivo o desejo:
    "HOLOCAUSTO....NUNCA MAIS"

    By Blogger Yara, at sábado, outubro 20, 2012 6:15:00 PM  

  • Às duas amigas que comentaram, o meu muito obrigado. Bons comentários ambos!
    Shalom!
    Pf

    By Blogger paulofranke, at sábado, outubro 20, 2012 6:58:00 PM  

  • Meu Deus ainda me assusto muito quando vejo os relatos meu amigo que você faz tão bem e com as fotos que complementão tanto suas visitas aos campos de concentração.
    Isso doi demais na humanidade e acredito que vai dor para sempre, mas é isso mesmo!Tem que ser sempre lembrado, para que nunca seja esquecido por nós, nossos filhos e netos.

    By Anonymous evelize volpi, at domingo, outubro 21, 2012 2:42:00 AM  

  • Caro amigo, como não nos emocionarmos com tantos relatos, desenhos, marcas de vida dessas pessoas que sofreram tanto, e mesmo assim tinham sua sinagoga escondida pra fazerem suas orações em busca de esperança no sofrimento.
    Digo como os outros que já comentarão, HOLOCAUSTO não pode ser esquecido, a memória desses lugares deve ser sempre preservada pras pessoas não esquecerem nunca esse horror.
    Otima postagem, rica em detalhes, aprendo muito!
    Um abraço!

    By Anonymous evelize volpi, at segunda-feira, março 03, 2014 11:39:00 PM  

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